SINASC · Ministério da Saúde · 2023

Como os Brasileiros
Chegam ao Mundo

Uma análise abrangente de 2,53 milhões de nascimentos registrados no Brasil em 2023 — padrões demográficos, regionais e socioeconômicos que revelam como a natalidade brasileira está mudando.

2,53M
Nascimentos em 2023
Queda consecutiva
4
Bebês por minuto
26
Anos de dados (2000–2023)
Resumo · Brasil 2023
2.532.050
Nascidos Vivos
6.932
Nascimentos por dia
51,2%
Meninos
98%
Partos em hospital
Menor patamar de nascimentos desde 1977

O nascimento como espelho da sociedade brasileira

O nascimento é um dos principais eventos vitais que refletem as transformações sociais, econômicas e culturais de um país. Seu monitoramento contribui para o conhecimento da situação de saúde da população e subsidia o planejamento de políticas públicas na área materno-infantil.

Este estudo utiliza dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC), administrado pelo Ministério da Saúde, que coleta informações detalhadas sobre cada nascimento registrado no Brasil desde 1990.

Objetivo

Este projeto analisa as características dos nascimentos no Brasil a partir dos microdados do SINASC, com foco em 2023 e série histórica desde o ano 2000. O objetivo é construir um painel interativo que traduza volumes massivos de dados em insights claros para profissionais de saúde, gestores e pesquisadores.

A análise cobre quatro dimensões principais: volume e tendência histórica de nascimentos; perfil das mães (faixa etária, escolaridade, gravidez de risco); distribuição geográfica por estado e região; e características do parto (tipo, local, dia e hora).

Com essas informações, podemos fornecer subsídios para o planejamento e a avaliação de políticas de saúde, identificando populações vulneráveis e padrões que exigem atenção especial.

📂 Fonte: OpenDataSUS — SINASC · Ministério da Saúde · Dados abertos

Ferramentas utilizadas

Python 3.12 Pandas NumPy Plotly Streamlit Google Colab Visual Studio Code IBGE API CNES Dataset
1
Coleta de Dados
Microdados SINASC (OpenDataSUS), CNES — Cadastro de estabelecimentos de saúde, e dados de municípios via API do IBGE.
2
Pré-processamento
Limpeza, agregação e tratamento de valores faltantes. Redução de granularidade para otimização do app. Etapa mais demorada: ~70% do tempo total.
3
Análise & Visualização
Construção do dashboard interativo com Streamlit e Plotly.

Problemas identificados

A análise dos dados do SINASC revela padrões que vão além das estatísticas — evidenciam desigualdades estruturais e desafios urgentes para as políticas públicas de saúde no Brasil.

📉
Declínio acelerado da natalidade
O Brasil registra sua 5ª queda consecutiva de nascimentos desde 2019, atingindo o menor patamar desde 1977. A tendência é estrutural — não conjuntural — e aponta para uma mudança profunda no comportamento reprodutivo da população, impulsionada por fatores econômicos, e acesso à contracepção.
−1,17% em 2023 vs 2022
⚠️
Gravidez na adolescência persiste
Apesar da redução observada na faixa de 10 a 14 anos, a gravidez precoce permanece como um problema de saúde pública. Nascimentos de mães entre 10 e 14 anos configuram, perante a lei brasileira, casos de estupro de vulnerável — o que exige atenção prioritária de políticas de proteção à infância e educação sexual.
Ainda registrados em todos os estados
🏥
Alta taxa de cesárias no Brasil
O padrão de nascimentos concentrado no início da semana e no horário comercial evidencia a influência das cesárias eletivas agendadas. O Brasil tem uma das maiores taxas de cesáreas do mundo, acima dos 40% recomendados pela OMS — o que eleva riscos para mãe e bebê e sobrecarrega o sistema de saúde com procedimentos desnecessários.
Cesárias dominam horário comercial
🗺️
Desigualdade regional acentuada
O Nordeste lidera a retração com queda de −16,35% nos últimos 5 anos, enquanto o Sudeste concentra 38% dos nascimentos. Essa assimetria reflete diferenças profundas no acesso a serviços de saúde materno-infantil, renda familiar e infraestrutura hospitalar entre as regiões brasileiras.
Nordeste: −16,35% em 5 anos
👩‍⚕️
Adiamento da maternidade
A análise histórica mostra crescimento relativo consistente de nascimentos por mães entre 40 e 44 anos, indicando adiamento da maternidade. Esse fenômeno traz riscos gestacionais mais elevados e demanda maior atenção especializada do sistema de saúde, inclusive no pré-natal e nos cuidados neonatais.
Crescimento na faixa 40–44 anos
📊
Sub-registro em regiões remotas
O SINASC apresenta cobertura superior a 90% na maioria dos estados, mas municípios remotos das regiões Norte e Centro-Oeste ainda apresentam sub-registro. Os ~15 mil nascimentos ainda ocorridos em domicílios em 2023 indicam acesso desigual à rede hospitalar, especialmente em populações indígenas e ribeirinhas.
~15 mil partos domiciliares em 2023

O que os dados revelam

A seguir, os principais achados da análise dos microdados do SINASC 2023, com série histórica desde o ano 2000. Cada resultado foi extraído por meio de análise exploratória em Python e validado no dashboard interativo do Streamlit.

2,53M
Nascidos vivos em 2023
288/h
Nascimentos por hora
505k
SP — maior estado (19,96%)
38%
Sudeste — maior região
Resultado 01

5ª queda consecutiva — o menor patamar desde 1977

Em 2023, o Brasil registrou 2.532.050 nascidos vivos — uma redução de 1,17% em relação a 2022 e o menor volume desde 1977. O país acumula cinco anos seguidos de queda, com todas as regiões na mesma tendência declinante.

A média mensal foi de 211 mil nascimentos. Março foi o mês mais fértil (234.022 nascimentos), enquanto Novembro registrou o menor volume (190.052).

234k
Março — mês recorde
190k
Novembro — menor mês
Nascidos vivos por mês · 2023
Histórico · 2014 - 2023

Resultado 02

Nasce mais menino — padrão consistente desde 2000

Em 2023, nasceram 1,29 milhões de meninos (51,2%) e 1,23 milhões de meninas (48,8%). Essa proporção se mantém estável desde o início da série histórica em 2000, sem variação significativa entre regiões ou estados.

A razão de sexo ao nascer (número de meninos por 100 meninas) fica consistentemente em torno de 105, dentro do padrão biológico esperado para populações humanas.

51,2%
Meninos
48,8%
Meninas
Nascidos vivos por sexo · Série histórica 2000–2023
"
Em 2023, nasceram 288 crianças por hora no Brasil — ou 4 por minuto, ou 6.932 por dia. Cada um desses nascimentos é um evento que o SINASC registra, e que este estudo analisa para entender as transformações demográficas do país.
Análise dos microdados SINASC 2023 · Gabriel Prata
Resultado 03

SP concentra quase 20% dos nascimentos do Brasil

A distribuição geográfica reflete as assimetrias populacionais do país. São Paulo lidera com 505.331 nascimentos (19,96%), seguido de Minas Gerais (9,17%) e Rio de Janeiro (6,95%). A região Sudeste como um todo concentra 38% dos nascimentos nacionais.

Nos últimos 5 anos, o Nordeste registrou a maior retração (−16,35%), seguido do Sudeste (−15,88%). Apenas a região Norte apresentou crescimento pontual em 2020 (+2,54%).

Top 10 estados por nascimentos · 2023
Resultado 04

Dia e hora do nascimento revelam o peso das cesárias eletivas

Nascem mais crianças no início da semana — o volume cai progressivamente ao longo dos dias, com queda expressiva nos fins de semana. Esse padrão é explicado pelas cesárias eletivas, que são agendadas preferencialmente em dias úteis.

Em relação ao horário, os picos de nascimento ocorrem entre 8h e 11h da manhã e entre 14h e 17h da tarde — exatamente o horário comercial hospitalar. As cesárias dominam esses períodos, enquanto os partos vaginais mantêm distribuição uniforme ao longo do dia e da semana.

8h–11h
Pico matinal
14h–17h
Pico vespertino
Nascimentos por dia da semana · Cesária vs Vaginal · 2023
Nascimentos por hora do dia · Cesário vs Vaginal · 2023
Resultado 05

Mães mais velhas, mães mais jovens cada vez menos presentes

A série histórica desde 2000 mostra duas tendências simultâneas: crescimento relativo de nascimentos por mães de 40 a 44 anos — reflexo do adiamento da maternidade — e queda progressiva entre mães de 15 a 19 anos, indicando maior acesso à contracepção e educação sexual nessa faixa.

A redução na faixa de 10 a 14 anos merece destaque especial: além do aspecto de saúde pública, nascimentos nessa faixa etária configuram casos de estupro de vulnerável perante a legislação brasileira, mesmo que a relação seja consentida.

40–44
Faixa com maior crescimento
15–19
Faixa com maior queda
Nascimentos por faixa etária da mãe · 2000–2023
Resultado 06

98% dos nascimentos ocorrem em hospitais — mas ainda há partos domiciliares

A grande maioria dos partos acontece em ambiente hospitalar (98%), sendo que os hospitais de gestão municipal são responsáveis pela maior parcela — 1,62 milhão de nascimentos. No entanto, cerca de 15 mil nascimentos ainda ocorrem em domicílios, evidenciando barreiras de acesso à rede hospitalar em regiões remotas.

Outro dado importante é a quantidade de nascimentos em aldeias indíginas, cerca de 1.779.

Local de nascimento · 2023
Resultado 07

Avanço expressivo no acompanhamento pré-natal das mães brasileiras

Em 2023, 77,5% das mães realizaram 7 ou mais consultas pré-natal — classificado como "Mais do que adequado" pelo Ministério da Saúde — e outros 16,6% tiveram de 4 a 6 consultas ("Adequado"). Juntos, esses grupos somam 94,1% das gestantes com acompanhamento adequado ou superior.

Esse resultado representa um salto significativo em relação a 2015, quando apenas 70,2% das mulheres somavam as categorias "Mais que adequado" e "Adequado" — um crescimento de quase 24 pontos percentuais em 8 anos.

A região Norte segue como a mais vulnerável, com apenas 62% das mães em categorias adequadas em 2023 — ainda assim, bem acima dos 53,1% registrados em 2015, evidenciando progresso, mas também a persistência das desigualdades regionais no acesso à saúde materno-infantil.

94,1%
Cobertura adequada em 2023
+24pp
Crescimento desde 2015
Consultas pré-natal por região · 2023 (nascidos vivos)

Metodologia

Da coleta ao dashboard: pipeline completo de ciência de dados com dados públicos do governo federal.

Etapa 01 · Coleta
Aquisição das fontes de dados
Microdados SINASC via OpenDataSUS, dataset CNES (estabelecimentos de saúde) via S3, e dados de municípios via API IBGE (pip install ibge). Cobertura nacional desde 2000.
Etapa 02 · Pré-processamento
Limpeza, agregação e otimização
Limpeza: verificação de consistência, correção de erros de preenchimento e eliminação de valores fora do domínio. Agregação: redução de granularidade para otimizar o carregamento do app. Missing: tratamento sem exclusão de registros, com imputação adequada por variável.
Etapa 03 · Análise exploratória
Identificação de padrões e insights
Análise multidimensional em Python com Pandas e NumPy, utilizando Google Colab. Exploração de séries temporais, distribuições geográficas, perfis demográficos e padrões de parto. Notebook completo disponível no repositório.
Etapa 04 · Visualização
Dashboard interativo com Streamlit
Construção do app em Streamlit com gráficos Plotly. Deploy na plataforma Streamlit Community Cloud, acessível publicamente via browser.

Como reproduzir

# Instalação
pip install streamlit pandas plotly
pip install ibge
# Execução local
streamlit run nascidos_vivos.py
📓
Sinasc_Analises_e_Graficos.ipynb
Análise exploratória completa · Google Colab
🐍
nascidos_vivos.py
App Streamlit principal
⚙️
preprocessamento_nascidovivos_v02.py
Pipeline de limpeza e transformação
📦
datasets/
Datasets pré-processados para o app

Explore os dados ao vivo

O dashboard interativo está disponível publicamente. Caso esteja hibernando clique em: "Yes, get this app back up!"