SINASC · Ministério da Saúde · 2023
Uma análise abrangente de 2,53 milhões de nascimentos registrados no Brasil em 2023 — padrões demográficos, regionais e socioeconômicos que revelam como a natalidade brasileira está mudando.
O nascimento é um dos principais eventos vitais que refletem as transformações sociais, econômicas e culturais de um país. Seu monitoramento contribui para o conhecimento da situação de saúde da população e subsidia o planejamento de políticas públicas na área materno-infantil.
Este estudo utiliza dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC), administrado pelo Ministério da Saúde, que coleta informações detalhadas sobre cada nascimento registrado no Brasil desde 1990.
Sobre o projeto
Este projeto analisa as características dos nascimentos no Brasil a partir dos microdados do SINASC, com foco em 2023 e série histórica desde o ano 2000. O objetivo é construir um painel interativo que traduza volumes massivos de dados em insights claros para profissionais de saúde, gestores e pesquisadores.
A análise cobre quatro dimensões principais: volume e tendência histórica de nascimentos; perfil das mães (faixa etária, escolaridade, gravidez de risco); distribuição geográfica por estado e região; e características do parto (tipo, local, dia e hora).
Com essas informações, podemos fornecer subsídios para o planejamento e a avaliação de políticas de saúde, identificando populações vulneráveis e padrões que exigem atenção especial.
📂 Fonte: OpenDataSUS — SINASC · Ministério da Saúde · Dados abertos
Stack técnico
Análise crítica
A análise dos dados do SINASC revela padrões que vão além das estatísticas — evidenciam desigualdades estruturais e desafios urgentes para as políticas públicas de saúde no Brasil.
Resultados da análise
A seguir, os principais achados da análise dos microdados do SINASC 2023, com série histórica desde o ano 2000. Cada resultado foi extraído por meio de análise exploratória em Python e validado no dashboard interativo do Streamlit.
Em 2023, o Brasil registrou 2.532.050 nascidos vivos — uma redução de 1,17% em relação a 2022 e o menor volume desde 1977. O país acumula cinco anos seguidos de queda, com todas as regiões na mesma tendência declinante.
A média mensal foi de 211 mil nascimentos. Março foi o mês mais fértil (234.022 nascimentos), enquanto Novembro registrou o menor volume (190.052).
Em 2023, nasceram 1,29 milhões de meninos (51,2%) e 1,23 milhões de meninas (48,8%). Essa proporção se mantém estável desde o início da série histórica em 2000, sem variação significativa entre regiões ou estados.
A razão de sexo ao nascer (número de meninos por 100 meninas) fica consistentemente em torno de 105, dentro do padrão biológico esperado para populações humanas.
A distribuição geográfica reflete as assimetrias populacionais do país. São Paulo lidera com 505.331 nascimentos (19,96%), seguido de Minas Gerais (9,17%) e Rio de Janeiro (6,95%). A região Sudeste como um todo concentra 38% dos nascimentos nacionais.
Nos últimos 5 anos, o Nordeste registrou a maior retração (−16,35%), seguido do Sudeste (−15,88%). Apenas a região Norte apresentou crescimento pontual em 2020 (+2,54%).
Nascem mais crianças no início da semana — o volume cai progressivamente ao longo dos dias, com queda expressiva nos fins de semana. Esse padrão é explicado pelas cesárias eletivas, que são agendadas preferencialmente em dias úteis.
Em relação ao horário, os picos de nascimento ocorrem entre 8h e 11h da manhã e entre 14h e 17h da tarde — exatamente o horário comercial hospitalar. As cesárias dominam esses períodos, enquanto os partos vaginais mantêm distribuição uniforme ao longo do dia e da semana.
A série histórica desde 2000 mostra duas tendências simultâneas: crescimento relativo de nascimentos por mães de 40 a 44 anos — reflexo do adiamento da maternidade — e queda progressiva entre mães de 15 a 19 anos, indicando maior acesso à contracepção e educação sexual nessa faixa.
A redução na faixa de 10 a 14 anos merece destaque especial: além do aspecto de saúde pública, nascimentos nessa faixa etária configuram casos de estupro de vulnerável perante a legislação brasileira, mesmo que a relação seja consentida.
A grande maioria dos partos acontece em ambiente hospitalar (98%), sendo que os hospitais de gestão municipal são responsáveis pela maior parcela — 1,62 milhão de nascimentos. No entanto, cerca de 15 mil nascimentos ainda ocorrem em domicílios, evidenciando barreiras de acesso à rede hospitalar em regiões remotas.
Outro dado importante é a quantidade de nascimentos em aldeias indíginas, cerca de 1.779.
Em 2023, 77,5% das mães realizaram 7 ou mais consultas pré-natal — classificado como "Mais do que adequado" pelo Ministério da Saúde — e outros 16,6% tiveram de 4 a 6 consultas ("Adequado"). Juntos, esses grupos somam 94,1% das gestantes com acompanhamento adequado ou superior.
Esse resultado representa um salto significativo em relação a 2015, quando apenas 70,2% das mulheres somavam as categorias "Mais que adequado" e "Adequado" — um crescimento de quase 24 pontos percentuais em 8 anos.
A região Norte segue como a mais vulnerável, com apenas 62% das mães em categorias adequadas em 2023 — ainda assim, bem acima dos 53,1% registrados em 2015, evidenciando progresso, mas também a persistência das desigualdades regionais no acesso à saúde materno-infantil.
Como foi feito
Da coleta ao dashboard: pipeline completo de ciência de dados com dados públicos do governo federal.
pip install ibge). Cobertura nacional desde 2000.Reprodutibilidade
pip install streamlit pandas plotly pip install ibge
streamlit run nascidos_vivos.py
O dashboard interativo está disponível publicamente. Caso esteja hibernando clique em: "Yes, get this app back up!"